Bonsmara Gênesis


O principal problema da produção de gado nos trópicos e sub-trópicos no mundo foi o que foi conhecido como síndrome de degeneração tropical entre as variedades de gado Bos taurus. As raças britânicas de gado Shorthorn, Hereford, Aberdeen Angus e uma menor extensão, o Sussex, não conseguiriam prosperar nas fazendas nas Sul Africanas aonde as condições do clima sub-tropical tem uma média anual isotérmica acima de 20ºc.

Após 1940 foi considerada que degeneração tropical dos animais de raças britânicas era causada pela mal nutrição. As proteínas contidas nas pastagens naturais no hemisfério sul apresentam baixos níveis durante o final do verão e início do inverno caindo a níveis bem baixos.

Como resultado do fato que pobres condições nutricionais foram consideradas como a causa da degeneração tropical, uma grande escala de experimentos nutricionais foram lançados na Estação de Pesquisa de Gado Messina em 1937.

Oitenta e quatro cabeças de animais de raças britânicas foram divididas em três grupos de 28 novilhas cada. Cada grupo de novilhas era constituído por 16 Herefords, 8 Shorthorn e 4 Aberdeen Angus. O primeiro grupo (H) recebeu suplementação protéica de 24% de proteína digestível, o segundo grupo (L) recebeu suplementação de 12% de proteína digestiva, ambas suplementações possuíam exatamente o mesmo valor de energia. O terceiro grupo (K) não recebeu nenhum tipo de suplementação.

Ao final o primeiro período de alimentação suplementar na qual teve a duração do período de 01 de Julho até 01 de Dezembro, não foi encontrada nenhuma diferença significativa no peso entre os três grupos.

Neste período Bonsma se tornou bem informado sobre o fato de que a degeneração tropical dos animais de origem britânica não era devido a deficiências de mal nutrição.

Com o trabalho de Albert Rhoad fez na fazenda na Estação de Pesquisas Jeanerette, Loisiana, U.S.A., em mente, o autor decidiu realizar testes climatológicos nas 84 cabeças de novilhas britânicas, também foram incluídas neste projeto 20 cabeças de novilhas da raça Afrikaner.

Com uma observação bem cuidadosa provou-se que as novilhas, nas quais mostravam um menor estresse climático, eram as que melhores prosperavam. Aqueles animais que mostravam sintomas de estresse nos dias quentes tinham elevadas taxas de respiração; palpitação, línguas para fora e salivação.

De dezembro de 1937 para frente as temperaturas dos corpos e respiração forma medidas, as taxas pulsação foram contadas uma vez por semana em várias novilhas em duas em duas horas do dias, começando as 06hs até as 18hs e ocasionalmente das 06hs às 06hs do dia seguinte. Todos os animais nos experimentos nas Estação de Pesquisa Mara e Messina foram pesados pelo menos uma vez por mês e catorze medidas do corpo foram tomadas de cada animal desde o seu nascimento até sua vida produtiva  na Estação de Pesquisa.

Como resultado do fato que Bonsma queria avaliar todos os aspectos dos animais das quais trabalhava, ele fez numerosas observações nos seus animais experimentais. Começando do peso, medidas do corpo, temperatura corpórea, taxas de respiração e pulsação, contagem de pêlo por centímetros quadrados e carrapatos. Os diâmetros dos pêlos foram determinados através de um “lanameter”; a completa cobertura de pêlos das diferentes raças de animais foi retirada bem rente ao corpo do animal, pesada e colada em uma máquina de feltro em uma fábrica de chapéus em Joanesburgo.

Estes elaborados testes no couros e pêlos dos animais provaram sem margem de dúvida que o couro e a cobertura de pêlos dos animais exercem uma tremenda barreira no processo de dissipação do calor no corpo do animal.

A fácil dissipação do calor é de extrema importância para possibilitar que o animal mantenha seu equilíbrio térmico nos quentes ambientes dos trópicos e sub-trópicos.

Ao mesmo tempo que os testes climatológicos eram realizados nas Estações de Pesquisa em Mara e Messina também estava em progresso o desenvolvimento de uma nova raça.

O Prof. A.M. Bosnman instruiu J.C. Bonsma, que estava na direção dos trabalhos de pesquisa nas duas estações experimentais, a criar uma raça similar a raça Santa Gertrudis do racho King Texas, isto é,  5/8 de raça britânica (Exotic-E) e 3/8 Afrikaner (Bos taurus –A).

Quatrocentas vacas especialmente selecionadas na Estação de Pesquisa de Mara, foram divididas em 5 grupos de oitenta vacas cada e posteriormente subdividida em dois grupos de 40 vacas cada, formando 10 grupos de 40 vacas que foram colocadas com 5 tipos de touros de raças britânicas (Exotic-E), isto é, (1) Red Abeerden Angus trazido da Escócia, (2) Hereford, (3) Red Poll, (4) Shorthorn e (5) Sussex.

Todos os rebanhos das vacas foram colocados com diferentes raças de touros e cada grupo foi anualmente rotacionado para que as 5 raças de touros forem acasalados com o respectivo rebanho de vacas Afrikaner.

Como resultado do fato de que Bonsma tipo gado em todos os estágios de era, partindo do Afrikaner a Sanga (gado nativo) até o Aberdeen Angus, Hereford, Shorthorn e Sussex, estes animais também foram incorporados aos testes climatológicos. Os resultados dos testes nos animais provaram que degeneração tropical nada mais era do que uma mal nutrição crônica causada pela hipertermia nos animais que não conseguiam dissipar com prontidão o excesso de calor metabólico.

Esses animais que sofriam de hipertermia apresentavam elevadas taxas de respiração e pulso, aliado a distúrbios metabólicos, fisiológicos e endocrinológicos; pois no esforço para manter a temperatura do corpo normal, esses animais tomavam reações voluntárias como ficar parados na sombra, dentro da água e redução do apetite, resultando desnutrição crônica. Nessas condições as normais funções reprodutoras são oprimidas.

Os trabalhos de pesquisas climatológicas elaborados na Estação de Pesquisa em Messina provaram, sem margem de dúvida que o pêlo e a pelagem dos animais provocam uma enorme barreira para a habilidade de dissipação do excesso de calor corpóreo. A adaptação dos animais ao clima dos trópicos e sub trópicos depende do tipo respiratório que possuem, associados a conformação corpórea, ou seja, animais com perfis de extensa fronte e convexa são melhores adaptados do que animais com fronte e contorno ovalada.

Somente após os dados dos testes climatológicos dos vários tipos de animais foram submetidos ao Prof. A.M. Bonsma, pode o autor converse-se de que a proporção sangüínea da nova raça a ser estabelecida deveria ser justamente o oposto da raça Santa Gertrudis, ou seja, 5/8 Afrikaner (Bos taurus A) e 3/8 raça britânica (Exotic – E).

Neste estágio do projeto de criação da raça não foi possível decidir qual das raças britânicas proporcionaram os melhores resultados quando efetuada a cruza com as vacas Afrikaner.

A razão pela qual foi decidida que a proporção sangüínea na nova raça deveria estabelecer-se como 5/8 Afrikaner (A) e 3/8 raça britânica (E), é devido aos dados dos testes climatológicos apresentados pelo Prof. A.M. Bonsman,  mostrando que na maioria dos cruzamentos de raças partindo-se do Bos taurus para o Exotic, quando eram levadas além da F1, apresentaram sintomas da degeneração tropical devido a hipertermia e resultando mal nutrição crônica, A maioria do gado que foram além dos estágio (½+½) a partir de animais puros britânicos exibiram sintomas de estresse em dias quentes.

A criação da raça na
Estação de Pesquisa Mara


A criação da nova raça inicio-se em 1937, antes de Bonsma ficar realmente informado de quais eram os fatores que envolviam a realização de um animal adaptado aos trópicos e sub trópicos. Afortunadamente foi decidido antes de 1940 que a “nova” raça deveria ser 5/8 Afrikaner e 3/8 Exotic. A decisão não foi baseada em idéias imaginárias ou hipotéticas, mas sim em uma meticulosa base de dados climatológicas obtidas em diversos animais.

A boa sorte contribui na seleção dos primeiros dois touros Shorthorn “Imvani Ferule” e “Imvani Footprint”, ambos touros espaçosos e compridos, com pêlos lisos e grossos e vasos vasculares ocultos. Os touros Hereford usados no cruzamento “Bromfield Gower”, “Vaalbosch Renown” e os filhos de “Freetown Virginian” comprados do Sr.  Hamilton de Val, Tranvaal, foram também touros espaçosos e de pelagem lisa, possuindo compridos corpos, mais modernos do que os touros Americanos e Britânicos de hoje.

Durante 1938 Bosnma desenvolveu um método de escala fotográfica nos animais experimentais, na qual era muito mais precisa do que a usada pelos pesquisados americanos e britânicos. A escala fotográfica de Bonsma era baseada na medida corpórea dos animais efetivamente linear, enquanto os pesquisadores americanos e britânicos colocavam os animais em oposto a uma grade.

É fato que a deusa da boa fortuna sorriu para a seleção dos touros Hereford e Shorthorn. Estes touros tinham todas as características de pelagem na qual não permitiam que os animais fossem atingidos com os problemas das condições climatológicas sub-tropicais. Estas características foram mais tardes decisivas para a grande importância na seleção de animais que fossem adaptáveis a condições tropicais e sub-tropicais e com resistência e carrapatos.

A boa fortuna nos permitiu a exploração do conceito do efeito do gene aditivo, na realidade a situação foi efetivada de superior para superior dominação, através da seleção das raças dos animais em raças parentes e seguindo as seguintes características:

Pelagem pequena, resistência a carrapatos e músculos sub-cutâneos bem desenvolvidos.

Excelente.